Existe cada vez mais evidência que o segredo para envelhecer com saúde passa sobretudo por um estilo de vida saudável, principalmente no que toca à alimentação.

A última boa notícia nesta matéria: Um estudo recente publicado na Revista Neurology conclui que os idosos  que ingeriam maior quantidade de vegetais de folha verde – como o espinafre, couve e hortaliça – apresentaram uma taxa mais lenta de deterioração cognitiva em comparação com aqueles que incluíam na sua dieta poucas ou nenhumas verduras.

 

Verdes Previnem Perda de Memória

“A associação é bastante forte” refere Martha Clare Morris, Professora de Ciências da Nutrição no Rush Medical College de Chicago e líder da investigação. Nesta pesquisa foram analisados 960 participantes do Projeto Memória e Envelhecimento , com uma média de idades situada nos 91 anos e sem historial de demências. Todos os anos os participantes são submetidos a uma bateria de testes para avaliar a sua memória. Os investigadores também acompanham os hábitos de vida e alimentares destes idosos.

Para analisar a relação entre o consumo de hortícolas de folhas veres e a deterioração cognitiva relacionada com a idade, os investigadores dividiram os participantes em cinco grupos, de acordo com a quantidade de verduras comidas. Aqueles que ingeriam mais verdes compreendiam o quintil superior, consumindo em média cerca de 1,3 porções por dia. Aqueles que se situavam no quintil superior apresentaram um consumo médio diário muito próximo de 0.

Após cerca de cinco anos de acompanhamento a taxa de declínio para aqueles que se situavam no quintil superior (maior ingestão de verdes) era cerca de metade da taxa de declínio dos indivíduos do quintil mais baixo.


Qual a Melhor Maneira de Consumir Verdes na Sua Dieta?


Como poderemos então incluir esta dose de saúde à nossa dieta? “Todos os dias como uma grande salada!” refere uma das participantes do estudo. E sente-se ele mentalmente mais ágil? “Eu sinto-me impecável!” diz em tom de brincadeira, não acreditando que sejam os legumes os culpados por isso. “Devo ter bons genes… tive sorte!” argumenta.

Mas a verdade é que esta participante tem uma série de outros hábitos saudáveis. Frequenta aulas de ginástica em grupo na sua comunidade e participa em diversas associações.

Muitos fatores contribuem para o envelhecimento saudável, e este estudo não pretende provar que a ingestão de vegetais per si vai afastar o declínio da memória. Com esta pesquisa, explica Morris, “os cientistas só podem estabelecer uma associação – não necessariamente de causalidade – entre dieta saudável e uma mente que se mantém nítida”. Ainda assim, a investigadora refere que, mesmo após ajustamento a outras variáveis que podem desempenhar um efeito positivo, como o estilo de vida, a educação e a saúde geral, mantém-se uma associação entre o consumo de verdes e uma taxa mais lenta de declínio cognitivo.

Algumas pesquisas anteriores já tinham apontado conclusões semelhantes. Um estudo publicado em 2006 verificou que, num conjunto de mulheres, um alto consumo de vegetais estava associado a menor declínio cognitivo entre os indivíduos mais velhos.


O Que Explica os Benefícios dos Vegetais?


Os vegetais, especialmente os de folha verde escura, possuem uma variedade significativa de nutrientes e fitonutrientes, incluindo Vitaminas E e K, luteína, carotenos e folato, substâncias quem têm diversos papéis nos mecanismos neurológicos, sendo neuroprotetoras.

Ainda que seja necessário maior investigação para conhecer em pormenor a ação de alguns compostos, sabemos que a sua carência provoca efeitos negativos no funcionamento cerebral. Por exemplo, níveis deficitários de folato poderão induzir maiores níveis de séricos de homocisteína, um composto que aumenta a inflamação e deposição de gordura, levando a maior risco de acidente vascular cerebral ou demências vascular. Outro caso: um aporte adequado de Vitamina E ajuda a proteger as células de danos, estando associado com melhor desempenho cognitivo.

Em Conclusão

Verificamos que os vegetais de folha verde, especialmente verde-escura (espinafre, couve, brócolos) são benéficos para atrasar do envelhecimento cognitivo e prevenir demências e outros problemas neurológicos. Contudo esta indicação não deverá ser utilizada como medida separada, mas integrada num plano alimentar adequado e num conjunto de atividades e hábitos de vida com carácter preventivo da deterioração cerebral.